Escrever é preciso!

O texto como processo poético e crítico

Escrever É Preciso!

Apresentação do curso

Você quer entender o papel da escrita na produção do artista visual e mais especificamente na tua produção? Se não escreve quer escrever? Ou já brinca com o texto e quer escrever melhor?

É difícil escrever porque é difícil produzir e entender o que se produz. É difícil “se ver de fora”. A escrita para um artista visual parece ter essa função, criar uma distância entre o produtor e a produção. Mas não é a única função dela, muitos artistas consideram seus textos parte integrante de sua pesquisa poética e de seu corpo de obra. 

O artista americano Carl Andre, por exemplo, tem uma profícua obra “lírica” não considerando os textos como forma menor de produção. Ao doar para a “Chinati Foundation” (https://chinati.org/collection/carlandre) parte de seu acervo de texto ele mesmo desenhou as vitrines em que seriam exibidas. Seria um movimento para dar corpo a página delicada do papel?

A relação entre arte e poesia é bem antiga. No oriente o gesto de desenhar e escrever criavam na sua unidade poesia. No filme de Peter Greenway “Livro de Cabeceira” (1996) a personagem, uma poeta filha de um poeta, quer publicar a sua poesia. Luta para achar um suporte para as palavras. O suporte que lhe cabe é a pele. Para cada suporte um tipo de escrita para melhor aproveitar o espaço. Cada poema um individuo, uma obra, e cada um se liga ao outro.

Unidades

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A necessidade de escrever entre o pensamento e a comunicação. Algumas propostas: relato de processo, diário de trabalho, epistola, projeto, statement, análise crítica, manifesto, statement, texto obra.

O texto é forma de pensar como o desenho é forma de pensar. Cadernos de artista, suas origens medievais. Mapas conceituais, organização de palavras-chave e conceitos relativos à prática. O caderno de artista como lugar de fazer e pensar onde a escrita tem papel fundamental na tessitura poética do trabalho. O mapa conceitual é uma organização gráfica a partir da observação e descrição dos trabalhos, produto da análise dos registros do caderno e da observação da produção.

A carta como forma de descrever e compartilhar as intenções da prática. Escrevemos mensagens o tempo todo, mas você já escreveu uma longa carta? Descrevendo uma viagem, uma visita a um museu? Já discutiu com um colega sobre um trabalho seu que ele nunca viu? A epístola foi um dos modos de discussão muito usado até os anos 80. Analisar os conteúdos das missivas trocadas entre os artistas nos dão informações sobre seus processos de pensamento bem como seu modo de atuação no mundo. A carta de Sol Lewitt para Eva Hesse diz muito sobre os dois. E as cartas trocadas entre Lygia Clark e Hélio Oiticica nos informam de suas angustias. As cartas de artistas do renascimento, como as de Dürer ou Leonardo atestam as próprias relações sociais que constituíram a suas práticas frente as organizações sociais de suas respectivas comunidades.

A escrita para além do âmbito processual do ateliê compartilhamento ideias, afirma posições e cria uma relação com o passado, justificando a própria necessidade da arte. As academias de arte que adotaram a estrutura das universidades logo na sua fundação no século XVI, pretendiam elevar as artes da artesania para as profissões liberais. Assim, organiza-se um currículo que privilegia as humanidades, o ensino da história, da filosofia, da estética. O desenho é afirmado como extensão do pensamento, ferramenta inquisitiva, analisa o mundo e o reorganiza projetualmente. Os artistas devem poder discutir de igual para igual com quem encomenda as obras. Na academia francesa se organizam pela primeira vez seminários, onde os artistas-professores defendem a necessidade da arte para edificar a nação, ou ainda se defendem os princípios da organização de cada gênero da pintura, ou a função social da escultura. Hoje, evoluímos nas universidades para outros gêneros, como os artigos científicos, a dissertação e a tese. A academia acolhe as poéticas visuais e os artistas usam as normas e as metodologias cientificas, ainda que das ciências humanas para refletir sobre suas práticas ou mesmo para produzir trabalhos.

Com a autonomia da pesquisa artística e os movimentos anti-acadêmicos, artistas se organizam em grupo para produzir novas linguagens e formas de representação. Essa dinâmica entre artistas e academia acontece no século XIX em diversos países da Europa e na Rússia. Os novos modos de representar não eram facilmente entendidos pelos contemporâneos, artistas e não artistas, houve uma maior a necessidade de dialogar com o seu próprio tempo e com os críticos de arte. A arte está saindo do seu campo tradicional de atuação, a arte moderna. Assim os grupos redigiam textos sobre suas investigações, para revistas e jornais. Os manifestos do século XX agregam a este processo a ideia de também chocar e atacar os que não entendem.

A linguagem da escrita como lugar de ação onde o artista se coloca de igual para igual com curadores e críticos, trocando mesmo de papel com eles. As revistas de arte como veículo e suporte da ação artística. Artistas se juntam a teóricos, escritores, arquitetos para entenderem o papel do intelectual e do artista na nova sociedade.

O texto como obra. Pensar as possibilidades do ensaio como forma de produção nas artes visuais ou por artistas visuais.

A intenção, o propósito declarado abertamente porque admitimos que a obra não fala por si. O projeto como forma de comunicação. 

O statement é uma declaração sobre seu processo, é bom você que articule suas ações e suas questões-problema.

Recursos e Gestão de tempo de Curso

Saiba em quanto tempo você fará este curso e quais as ferramentas estão disponíveis para completo aproveitamento e profundo aprendizado.

Tempo

Você pode realizar este curso no seu ritmo. Ele é pensado para seu autoestudo. 
Porém, para você ter uma estimativa indicamos que o faça em 2 meses, ou seja, uma unidade por semana.

Conteúdos

Este curso tem conteúdos textuais e em vídeo. Também estão programados encontros ao vivo (live). Todo material pode ser acessado no computador, tablet e celular

Referências

Para cada unidade de conteúdo @ professor@ preparou para você uma “folha de questões, provocações e referências” com várias fontes e práticas para você se aprofundar em seus estudos.

Práticas

Não se engane! Apesar deste ser um curso online ele pode ser super prático. Todas as unidades são acompanhadas de proposições que te colocarão efetivamente em ação.

Fórum

Todos nossos cursos contam com um fórum de discussão exclusivo. Ele acumula todo conteúdo produzido pel@s participantes durante o tempo de oferta do curso. Isso significa que mesmo depois que você tenha concluído os estudos, sempre haverão novos conteúdos, referências notícias.

Live

Você terá oportunidade de conversar ao vivo com @ professor@ do curso em sessões LIVE (através de nossa poderosa ferramenta de videoconferências) onde serão esclarecidas todas suas dúvidas sobre o conteúdo e exercícios e onde poderá buscar por mais aprofundamento.

Andréa Tavares

ARTISTA E PROFESSORA

Vive e trabalha em São Paulo. Desenvolve sua pesquisa poética no atrito entre a memória coletiva e a individual principalmente através do uso dos meios gráficos utilizados como suporte e conteúdo. Obteve o título de mestre (2008) e doutora (2015) em Poéticas Visuais. Coordena o curso de pós-graduação lato sensu Práticas Artísticas Contemporâneas na FAAP onde também leciona disciplinas de linguagens gráficas e metodologia de pesquisa em poéticas visuais nos cursos de Artes Visuais e Produção Cultural.

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